• 17 de August de 2019
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O QUE É NOTÍCIA

“Quem decide minha próxima viagem de férias é minha mulher!” François Delahaye

“Quem decide minha próxima viagem de férias é minha mulher!” François Delahaye

Por: Paulo Panayotis | São Paulo - Brasil Categoria: Hotelaria

“Quem decide minha próxima viagem de férias

é minha mulher!”

Os turistas japoneses são os mais difíceis: se algo está errado eles não falam! Simplesmente não voltam. Os brasileiros são os mais elegantes!”

As frases acima são de um dos mais poderosos homens do turismo mundial: em entrevista exclusiva ao portal O Que Vi Pelo Mundo, François Delahaye fala sem freios na língua de sua vida pessoal e sobre a luxuosa rede de hotéis que comanda: a Dorchester Collection. No topo desta rede, que inclui ícones como o The Dorchester de Londres e o Principe de Savoia, em Milão, está o hotel Plaza Athénée, de Paris, onde ele está há mais de vinte anos.

Hotel Plaza Athénée Paris. Costumo dizer que os homens inteligentes sabem que quem manda mesmo são as mulheres! E que os honestos dizem isto em público! Foi o primeiro pensamento que veio à mente quando me sentei à frente do diretor geral do Hotel Plaza Athénée. Ao longo da entrevista, descobri que além de inteligente, ele é um homem surpreendentemente honesto para os dias de hoje! Em uma segunda feira fria de outono em Paris, olhar perscrutador, terno negro discreto, porém alinhadíssimo, o todo poderoso François Delahaye sorri olhando bem em meus olhos. A gravata, também negra, contrasta com o alvo lenço branco que combina com a camisa social. Monsieur Delahaye além de dirigir o hotel ícone de Paris, o Plaza Athéné, dita as regras na prestigiada rede de hotéis de luxo Dorchester Collection. No executivo, o único luxo aparente emana do par de abotoaduras negras e douradas.

Monsieur François Delahaye: charme e olhos nos olhos

Turista brasileiro: elegante e conservador!
Surpreso com uma garrafa de cachaça que lhe entrego de presente, ele resume o amor que sente pelo Brasil e pelos brasileiros: “Vocês têm uma riqueza inacreditável tanto em recursos humanos, nas pessoas, quanto em termos de recursos naturais. Vocês têm um potencial inacreditável. Tudo está por fazer no Brasil. No país de vocês, aprendi a gostar de caipirinha. Aqui aprendi que o turista brasileiro é elegante, fiel e volta sempre, mas também que é bastante conservador”, sentencia Delahaye. Rápido, detalhista, executivamente contido e, por vezes grandiloquente, este francês que já passou pelos grupos Sofitel e Warwick entre outros, morou em meio mundo: Marrocos, Mali, Hong Kong, Nova York: “o lugar não importa. O que importa é o trabalho. A menos que seja em Paris, claro!”, completa ele sorrindo com ar de garoto sapeca.

Espumante inglês? Uma m...
Em parceria com a jornalista Adriana Reis, ele conversa animadamente conosco, acompanhado de sua fiel escudeira, Aude Bourgouin, gerente de comunicação responsável pelas relações com a imprensa internacional, do Plazá. “Os amigos e funcionários chamam ele de Monsieur Delahaye”, esclarece Aude, discretamente atenta a tudo. Bem-humorado, não se recusa a falar sobre nada: os desafios das redes sociais, os funcionários, o mundo em constante e rápida mutação, os coletes amarelos e, principalmente, “a importância de sempre ouvir os clientes”. - E quanto aos espumantes ingleses que os britânicos insistem em comparar aos champanhes? “Uma m...! Horríveis! São muito verdes! Eles têm boas cervejas, bons chás e outras coisas boas... Mas espumantes? Francamente...

Espumante inglês? “jamais!”

Novos clientes, velhos preconceitos
Como preservar a tradição de um ‘palácio como o hotel Plaza Athénée e conquistar novos clientes? Esta é uma das questões cruciais para esse executivo que abomina o machismo. Segundo ele, trata-se de uma questão cultural imposta pelas próprias mães. “Éramos quatro irmãos, dois meninos e duas meninas. Mamãe fazia a mesma comida para todos. Mas na hora de tirar os pratos, ela chamava as meninas para ajudar enquanto os meninos estavam liberados para ir brincar.” Olhar franco, incisivo, e com aquele charme francês que o mundo tenta copiar há décadas, Delahaye fala do mundo atual e do Plazá de hoje sem se esquecer dos desafios do Plazá de amanhã, ou, como ele mesmo gosta de afirmar, do “Palácio de amanhã!” Em 2019, Delahaye completa 20 anos como diretor geral do Hotel Plaza Athénée e, ao que tudo indica, espera ansiosamente pelas décadas seguintes.

De “escravo” em Londres a diretor geral em Paris
Delahaye nasceu em Lille, norte da França. Aos 15 anos perdeu o pai. Por conta das péssimas notas, a mãe o “puniu” com um estágio durante as férias escolares: mandou ele trabalhar em um restaurante. “Para mim foi genial” lembra ele com olhos em mim e a memória no passado. “Todo mundo me criticava, me chamava de bobo, de inútil. Foi quando fiz meus primeiros ovos com maionese. Os clientes elogiaram, o dono do restaurante elogiou. E eu, pela primeira vez na vida, me senti confiante”. Foram diversos cursos de hotelaria e culinária. “Até que fui ser escravo na Inglaterra. Como assim? “Eu era mordomo do Duque de Westminster, ou seja, escravo, brinca o atual diretor da Dorchester Collection. De lá para cá, o mundo mudou, Delahaye mudou, o Plaza Athénée mudou.

“Meninos vão brincar, meninas vão para a cozinha! Por que?"

( O Que Vi Pelo Mundo) - Qual a diferença entre o François Delahaye que assumiu o Plazá há vinte anos e o François Delahaye de hoje?
( François Delahaye)Hoje eu tenho mais cabelos brancos (risos). Mas hoje eu também tenho mais maturidade, mais conhecimento. No entanto, continuo com a mesma determinação e ideais de quando cheguei: é preciso sempre escutar o cliente. E isso nunca mudou nesses anos todos. Além disso, neste nosso negócio de hotelaria de alto luxo, é fundamental prever as necessidades dos clientes.
                                                         

(OQVPM) – O senhor sempre diz que os brasileiros são clientes elegantes, educados e muito fieis, mas que também são muito conservadores. Por que?
(FD) - O cliente brasileiro é profundamente clássico e profundamente conservador. Vou dar um exemplo mais preciso. Há alguns anos criamos aqui no Plazá um bar com luz neon e música ao vivo onde as mulheres podiam vir com minissaias. Foi um choque para os brasileiros. Eles diziam: mulheres com vestidos curtos assim passeando pelo Plaza não é possível! Devem ser prostitutas, diziam eles. Não eram prostitutas. Eram clientes. Mas para os brasileiros não era essa a imagem que eles haviam “herdado” de seus pais e avós. No entanto, há que se modernizar sem perder a essência. Temos que seduzir os filhos dos nossos clientes. Então é preciso trazer a modernidade, caso contrário nos transformaremos numa “casa de antigamente”. E aqui no Plazá temos uma visão: “Il était une fois le Palace de demain”, ou seja, este é um Palácio do amanhã.

Modernizar sempre mantendo a tradição


(OQVPM) – Neste caso, por conta das redes sociais e da internet, o amanhã é hoje. Isso representa um desafio para vocês?
(FD)Ao contrário! É uma oportunidade! Porque isso passa exatamente pela modernidade. Modernidade na comunicação, nas redes sociais como o Instagram, no contato direto com os filhos e netos dos nossos clientes tradicionais. Isso era impossível. Mas para isso é necessário respeitar os trabalhadores que temos aqui. Alguns estão conosco há 30, 40 anos. E quem faz a internet, as redes sociais? São as pessoas. São os nossos funcionários da comunicação. E ao final, são nossos funcionários que receberão estes “novos” clientes, não são? Nada substituirá um funcionário gentil e educado que o chama pelo nome e vem lhe trazer um copo de água quando você precisa. As mídias sociais nunca conseguirão fazer isso, substituir o homem. Nunca! O pulo do gato está em transformar a impessoalidade da internet em algo humano. Esse é o nosso diferencial. Temos mais de 500 funcionários para cuidar de 200 quartos! E todos são seres humanos. Sejam hóspedes sejam funcionários.
                                                        

(OQVPM) – E como é possível atrair, preservar e fidelizar o cliente mais novo com a velocidade com que tudo está acontecendo?
(FD) – Nossa meta é gerar criatividade clássica constantemente. Explico: O chef Alain Ducasse trouxe a ‘naturalidade’ para seus menus ao cuidar da saúde dos nossos clientes. Os cardápios hoje têm menos sal, menos açúcar, menos gordura. Há uma real expectativa do cliente hoje para que prestemos mais atenção à saúde. Também ousamos nos uniformes dos funcionários que atendem os restaurantes das áreas externas. Hoje eles usam pulôver, camisas polo e “basquets”, espécies de bonés. Nunca ousaríamos há alguns anos usar bonés no Plaza. Os novos clientes se identificam. Olha a modernidade! Da mesma forma deixamos que nossos funcionários se expressem com suas próprias palavras sobre o que fazemos no Plazá. Por exemplo, um garçom não só recita o porque tem que ter menos sal, açúcar e gordura na comida, mas ele “explica” para o cliente com suas próprias palavras. E isso somente é possível quando ele, o funcionário, entende o conceito e o pratica em sua própria casa. Olha o novo cliente se identificando com o novo Plazá!

Bonés nos uniformes? É a modernidade!


(OQVPM) – Na sua opinião, para onde caminha a hotelaria de luxo hoje em dia?
(FD) – Ela evolui a cada dia. Não é a cada mês, a cada ano. É a cada dia! Tudo evolui sem parar e muito rapidamente. Temos que acompanhar. Estar atentos a cada mudança. Veja a evolução nos cardápios do Ducasse. Hoje ele praticamente não serve mais carne. Serve peixe. E sem muito sal. Isso é evolução. Impensável há poucos anos. O mundo evolui e é preciso simplesmente estar na escuta. Escutar seus clientes, seus concorrentes, seus fornecedores, seus funcionários. Nada mais é estanque, fechado. Tudo se comunica. E para isso é preciso agilidade, rapidez. A hotelaria do futuro é mais próxima do cliente, das necessidades do cliente, da realidade do cliente.

(OQVPM) – Isso também se reflete nas questões sociais, como por exemplo as manifestações dos “gillets jaunes”, os coletes amarelos?
(FD) – Claro. É a esta agilidade que me refiro. Mesmo sendo um dos melhores e mais conhecidos hotéis de Paris - e até por causa disso – tenho que me adaptar para dar o máximo de conforto e segurança para meu cliente que vem para cá em férias ou a trabalho. Mesmo assim, cada dia é diferente do outro. Não sei se na semana que vem, por causa deles, terei que fechar o hotel temporariamente. Por isso não fingimos que nada está acontecendo. Avisamos e orientamos nossos clientes sugerindo, por exemplo, que neste ou naquele dia tentem ficar no hotel. Além do mais tentamos ser “low profile”, baixando as luzes externas, etc.

Coletes amarelos, agilidade e discrição 


(OQVPM) – É um pouco difícil para o Plaza Athénée ser discreto...
(FD) – Claro que sim. Mas fazemos o que está ao nosso alcance, especialmente para proteger nosso cliente e nossos funcionários. Fazemos o que é possível. Em um sábado pela manhã, quando acordei, achei que teríamos um dia calmo. Quando liguei a televisão já estava a maior confusão aqui perto. Fiquei surpreso como tudo aconteceu tão rápido. Mas paciência. Por isso é preciso sempre estar atento, na escuta. E ser ágil!  É o que o cliente moderno procura, precisa!
                                                        
(OQVPM)
– Vamos mudar um pouco o assunto. Quem são os clientes mais fáceis? E os mais difíceis?
(FD) Os mais difíceis são os japoneses. Porque os japoneses não se expressam. Quando há um problema, eles não falam nada e não voltam mais. Tenho que confessar que os brasileiros são clientes muito agradáveis. Porque têm educação, sabem se vestir, são bonitos de ver. Além disso têm respeito pela França, pela cultura e a arte francesa de viver. Os americanos são barulhentos e pouco elegantes. Não têm senso de estética. Os brasileiros fazem muito esporte. Eles têm um culto ao corpo maior que os americanos que, na maioria das vezes, estão acima do peso.

Adoro os brasileiros pois são educados e bonitos


(OQVPM) – Na sua opinião, o que o governo deveria fazer pelo turismo e pela hotelaria na França?
(FD) – Gostaria que houvesse mais equanimidade. Que fosse mais equânime entre nós, hoteleiros, e os novos que chegaram, como AirB&B. A taxa de estadia em um hotel de luxo como o nosso é de quatro euros por dia por pessoa. A taxa de estadia em Paris de um AirB&B da mesma dimensão é de setenta centavos de euro. O problema na França é que você tem muitas camadas de funcionários do governo fazendo a mesma coisa. Você tem escritórios de turismo departamentais, você tem escritórios de turismo regionais e você tem a promoção do turismo francês, que é nacional. Todos fazendo a mesma coisa. Tem até um escritório de turismo da região de Languedoc-Roussillon em Londres! Em Londres! Sabe quanto custa isso para o contribuinte?

(OQVPM) – Seguramente há hóspedes excêntricos que se hospedam no Plaza Athénée. O senhor lembra de alguma excentricidade em especial?
(FD) – Obviamente não posso citar nomes. Mas alguns casos foram realmente marcantes. Há muitos anos, quando não era politicamente incorreto, houve um casamento aqui para cem pessoas. E em um determinado momento, eles soltaram milhares de borboletas brancas, vivas! Outra vez uma menina queria brincar com um leãozinho. E trouxemos um filhote bem pequeno de leão verdadeiro! (Com autorização da sociedade protetora dos animais, completa Aude). E, claro, tivemos hospedado o Michael Jackson que pediu para que enchêssemos a suíte dele com milhares de balões. Para que? Ora, para ele estourar, claro! (gargalhando).

Todo Governo gasta muito e mal: c`est l avie!


(OQVPM) – E para encerrar:  Por que quem escolhe suas viagens de férias é sua mulher.
(FD) – Ora, porque quem escolhe para onde, quando ir e o que fazer é realmente a mulher. Melhor ainda: são a mulher e os filhos! Os homens não estão nem aí! Se forem para Londres, Paris ou Nova York tanto faz para eles. Eles querem ir a bons restaurantes, tomar bons vinhos e ver os amigos. No final, o que eles querem mesmo é ver a família feliz e ter paz e sossego. Então, o destino é sempre escolhido pela mulher e pelos filhos. Ainda bem!
                                                                                             Plaza Athénée: história e números

20.04.1913 – Inauguração
1947 – Estilista Christian Dior abre sua maison de alta costura na avenue Montaigne
1997 – Sultão do Brunei compre o hotel
1999 – François Delahaye vem trabalhar no hotel (como diretor)
2001 – Ele assume a direção do Plaza Athénée
2013 - 20.04.2013 – 100 anos do Plaza
2013 – Ampla reforma. O hotel fica fechado durante dez meses (outubro de 2013 a maio de 2014)
2019 - "Ficar no Plaza Athénée é um pouco como se sentir em casa". Monseur François Delahaye

550 funcionários
200 quartos

Obs: Com a compra de prédios ao lado para ampliação, o HPA passou a contar com mais 100 mil metros quadrados e outros 14 quartos e suítes após a reforma de 2013.

Jornalista Adriana Reis e Aude Borgouin, gerente geral de comunicação HPA : fiel escudeira


Dorchester Collection em números
Portfólio dos hotéis luxuosos na Europa e EUA, no qual cada propriedade reflete cultura distinta de seu destino. As propriedades são:
The Dorchester, em Londres;
45 Park Lane, em Londres;
Coworth Park, em Ascot, Reino Unido;
Le Meurice, em Paris;
Hotel Plaza Athénée, em Paris;
Hotel Principe di Savoia, em Milão;
Hotel Eden, em Roma;
The Beverly Hills Hotel, em Beverly Hills;
Hotel Bel-Air, em Los Angeles.

Bate Bola, jogo rápido

Uma bebida: Champanhe, ‘bien sûr!’
Um perfume: Lalique Lion.
Um prato: Saladas, adoro saladas.
Um livro: O próximo que vou ler.
Um lugar: Paris. Quanto mais viajo pelo mundo, mais acho que tenho uma sorte inacreditável de viver em Paris.
Um filme: La vie est belle.
Uma raiva (ódio): Manifestantes que destroem o patrimônio. Tenho muita raiva porque trabalhamos muito para a promoção turística de Paris e eles destroem. A destruição da cidade.

Um pouco mais de François Delahaye

Um sonho: Equilíbrio em tudo. Por exemplo: a França tem destinos incríveis, portanto, é preciso que o turismo não seja somente em Paris. Há muito para ver e as pessoas só pensam em tirar fotos da Torre Eiffel.
Um pesadelo: Desequilibro em tudo: Por exemplo: um bilhão e duzentos milhões de chineses visitando a França! Mon Dieu!

O que move François Delahaye
O trabalho, o trabalho e o trabalho. Minha família também é fundamental, mas um homem sem trabalho não existe. A melhor terapia para todas as doenças, todos os anseios, é o trabalho.

Delahaye por Delahaye 
Um homem de sorte, no lugar certo na hora certa. Se me deixar seis meses sem trabalhar não volto mais ao trabalho porque me suicido!  

Jornalistas Paulo Panayotis e Adriana Reis: tietando!

Reportagem, texto, edição e fotos:
Paulo Panayotis/ Adriana Reis

Jornalistas Paulo Panayotis e Adriana Reis se hospedaram no Hotel Plaza Athénnée a convite da Dorchester Collection representada no Brasil pela Sahão Marketing & Consultoria,  com seguro viagem Travel Ace e chip de internet Skillsim.

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