• 20 de October de 2020
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A Catedral do vinho da Borgonha tem nome: Les Ursulines

A Catedral do vinho da Borgonha tem nome: Les Ursulines

Por: Paulo Panayotis | São Paulo - Brasil Categoria: Colunista



Nuits-Saint Georges – Borgonha - França. Após dobrar uma esquina, passando por ruelas estreitas, típicas da Idade Média, sinto o primeiro impacto.

Em meio a pequeninas casas de pedra e vinhedos a perder de vista, surge a Cuverie Les Ursulines. Um amplo estacionamento se contrapõe aos estreitos espaços percorridos até chegar nesta que é uma “adega” única em toda a Borgonha e, talvez, em toda a França.

A nave monumental da Catedral do vinho

Bem humorada, Véronique Desmazure nos dá as boas vindas: “É muito cedo para tomar um bom tinto? “pergunta ela, sorridente. Alexandre Boujon se junta a nós. “Bem vindos à Cuverie Les Ursulines” dispara ele em tom contido e respeitoso. “Falo em inglês ou francês?”, pergunta o responsável pelo atendimento VIP da casa.

Prestigiada, controvertida, mas acima de tudo, respeitada, a casa de vinhos de Jean-Claude Boisset nem precisaria produzir bons vinhos com as uvas pinot noir, aligoté e chardonnay. Mas produz. E dos melhores!

Cave centenária preservada: ponte entre o novo e o antigo

Dono de uma fortuna calculada modestamente em mais de três bilhões de reais pela revista Forbes, Boisset vem de família com pedigree borgonhês e instinto de homem de negócios americano. Norte-americano, para ser mais preciso. Dono de um império que construiu de forma brilhantemente excêntrica, possui boa parte dos mais prestigiados vinhedos da Borgonha e da Califórnia.

Nem por isso descansa. “As obras de construção duraram mais de quatro anos”, informa Véronique, após nos mostrar um vídeo rápido sobre todo o processo que teve a supervisão do mesmo arquiteto que restaurou prédios históricos, como o Palácio de Versailles. “Fréderic Didier dirigiu pessoalmente o nascimento, crescimento e implantação de todos os trabalhos nas Ursulinas”, completa ela.

Jornalista Adriana Reis e Véronique: paixão pelo que fazem

Antigo convento de uma ordem de freiras fundada no século XIV na Itália, o local foi todo restaurado, preservando sua história centenária.

Tudo isso teve início em 1983 quando Boisset, o excêntrico francês com alma americana, adquiriu a propriedade. Não descansou enquanto não cravou, no meio da Borgonha, sua marca. Em suas grandes barricas de carvalho francês, por processo de gravidade, são vinificados e guardados grandes vinhos.

Vinhos com estirpe e classe apesar de jovens

Experimento vários vinhos entre eles o branco Meursault  Premier Cru, Charmes, de 2016, e o tinto Beaune Premier Cru, Les Grèves, de 2015.

Magistrais. Perfeitos, apesar de jovens. No entanto, o que mais me atrai é o local, meio mágico, meio religioso, totalmente inusitado. O cheiro de carvalho misturado ao aroma de mosto de uvas impregna tudo. Conheço o subsolo, percorro as caves, noto os detalhes e imagino, centenas de anos antes, o trabalho frenético das freiras cuidando de lavradores doentes, gente pobre, inválidos, gente humilde, gente do povo.

Perdida em meio aos vinhedos de Nuits-Saint-Georges

O enorme mural de vidro translúcido simbolizando uma videira, domina praticamente todo o espaço superior da estranha Catedral do vinho. Olhando bem substitui a cruz que, imagina, havia outrora por aqui. E com vantagem! A luz do sol que entra por ela torna o ambiente ainda mais mágico, sedutor, único! “Atendemos somente mediante reserva e, no máximo, pequenos grupos de até oito pessoas”, esclarece  nosso guia VIP, me fazendo subitamente voltar de meus pensamentos. Se, por dentro a vinícola é ultramoderna, clean e até mesmo minimalista, por fora quase não se nota o que de fato existe lá dentro. Uma verdadeira montanha foi erguida sobre o gigante de aço e concreto meticulosamente projetado para guardar vinho e memória.  Recoberta com mais de um metro de terra fértil e argilosa da Borgonha, uma vegetação típica e muito bem cuidada dá as boas vindas à primavera.


Jornalista Paulo Panayotis

Pela primeira vez não sei se gosto mais do vinho, da cave, da história ou se se de tudo ao mesmo tempo. Difícil decidir. Entre um gole e outro, só tenho uma certeza. É, de fato, uma Catedral do vinho! E olha que nem precisa ser religioso para gostar deste lugar...

Fotos: Paulo PanayotisAdriana Reis e divulgação

Por Paulo Panayotis

Os jornalistas estiveram no local a convite do Escritório de Turismo de Gevrey-Chambertin e Nuits-Saint-Georges e viajam com patrocínio e apoio Avis, Travel Ace, A Casa do Chip e Alitalia.

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