• 28 de May de 2020
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No turismo, quem emergirá primeiro na Europa após a pandemia?

No turismo, quem emergirá primeiro na Europa após a pandemia?

Por: Paulo Panayotis | São Paulo - Brasil Categoria: Colunista

No turismo, quem emergirá primeiro na Europa após a pandemia?

Mirante de Beaune - Borgonha - França. “O que vocês estão fazendo sentados aí? Onde vocês moram? Voltem imediatamente para casa”, ordena o policial. Meio atordoados, levantamos e começamos a caminhar rapidamente para casa, a cerca de 200 metros dali. Na noite anterior, tinha assistido uma reportagem na TF1, a poderosa emissora francesa de televisão, mostrando dois policiais a cavalo, numa área praticamente deserta, interpelando três jovens que tranquilamente batiam papo. “Não sabem que é proibido sair de casa sem motivos? O que estão fazendo aqui? Documentos de identificação”. Pensei comigo mesmo: em tempos de exceção, atitudes de exceção. “Tive que multar os três”, fala o policial para a reportagem que acompanhava a blitz. “Apesar de serem amigos dos meus filhos, cumprimos a lei, completa o policial ”. A “lei” em tempos de #coronavirus, em todo o território francês, prescinde do famoso lema que determina: liberdade, igualdade e fraternidade para todos. É uma frase que até criança pequena conhece de cor por aqui.

Mirante da montanha de Beaune: paisagem e blitz!

No meu caso, relatado acima, eu e a minha mulher, a jornalista Adriana Reis, estávamos sentados em um mirante deserto, no meio de uma montanha, a cerca de dois quilômetros do centro da cidade de Beaune, interior da França, onde moramos. Tínhamos  autorizações para isso, no entanto, não foram pedidas pela patrulha. No caso dos garotos, sem as autorizações, não escaparam. Cada um deles voltou para casa com uma multa salgada de 135 euros, que obviamente será paga pelos pais. Por que relato tudo isso? Porque, com policiais brotando de dentro do mato, a cada esquina, prédio ou pequena cidade, os franceses, quer queira, quer não, têm que se manter em casa. E quem não quiser ou pretender desafiar a lei, paga! E caro. As sanções, determinadas logo no início da crise pelo governo, estabelecem uma séria de obrigações para todos. Sair de casa? Pode. Desde que tenha em mãos documento impresso, ou escrito de próprio punho, com nome, local onde mora, data de nascimento, o que faz, onde está indo e por quê. Com a devida autorização em mãos e assinada pode ir ao supermercado mais próximo de casa, à farmácia, ao médico, ajudar pessoas idosas, doentes e ir trabalhar caso não haja possibilidade de home office. Também pode praticar exercício físico até um quilômetro de casa, sozinho e por no máximo uma hora. Mas, de maneira geral, a mão pesada do democrático governo francês age rápido e indiscriminadamente com um só objetivo. Salvar vidas e, em segundo plano, tentar reativar a economia assim que for possível. Detalhe: as multas por aqui começam em 135 euros, podem chegar aos 3.750 euros e até prisão de seis meses para reincidentes.

Firenze, norte da Itália: pais mais devastado pelo coranavírus na Europa

Enquanto isso, a Itália, país mais fortemente atingido pelo vírus, amarga a demora e a ineficiência das medidas tomadas com lentidão inexplicável. O Reino Unido somente na última semana determinou o fechamento das escolas. Uma amiga que mora em Londres postou, revoltada, que uma “meia maratona foi realizada nesta semana em Bath”, famosa cidade turística no interior da Inglaterra.

Londres e o rio Tâmisa: autoridades demoram a tomar decisões de combate ao coronavírus

Enquanto isso, autoridades inglesas patinam na dúvida entre determinar ações que, claro, impactarão gravemente a economia do Reino Unido mas, em compensação, salvarão milhares de vidas. Até escrever este artigo, metrô, embora com menor número de trens, circulava superlotado na capital inglesa.

Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha: casos aumentando

A Espanha vê aumentar, a cada dia, o número de pessoas infectadas e mortas. Espantosamente, a China, epicentro deste #vírus sem vergonha e sem fronteiras, começa a relaxar o isolamento social.

Grande muralha da China, próximo a Beijing: reaberta

A China, apesar de questionável quanto ao número de casos atualmente registrados, consegue este inacreditável prodígio em função do totalitário controle que implantou no país após negar, como alguns governantes, que “a situação não é tão grave assim, afinal, trata-se de mais uma gripinha”. Por tudo isso, testemunha presencial que sou, acredito que a curva de contaminações cairá fortemente na França nos próximos dias. Antecipando problemas e agindo com energia, inteligência e solidariedade aos mais necessitados e idosos, o governo francês dá mostras que uma vida salva vale mais do que milhões de euros ganhos. E que o país, por conta disso, deverá ser um dos primeiros da Europa a sair desta pandemia. O #turismo e a sociedade agradecem. E uma confissão: ainda acalento, secretamente, o sonho irracional de acordar no dia primeiro de abril e ler que tudo isso era uma “pegadinha”.

Jornalistas Paulo Panayotis e Adriana Reis após a blitz

Fotos: Paulo Panayotis e Adriana Reis

Os jornalistas moram em Beaune e viajam com seguro viagem Travel Ace,  patrocínio Avis, apoio A Casa do Chip e Alitalia

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