• 23 de October de 2021
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Inhotim: nem parece o

Inhotim: nem parece o "Brazil!"

Por: Paulo Panayotis | São Paulo - Brasil Categoria: Colunista

Brumadinho, Minas Gerais.Não julgar, ouvir mais e admirar tudo”. Renata Hellen Oliveira cursa Recursos Humanos e trabalha no Instituto Inhotim. Aos 23 anos de idade, Inhotim caiu como um míssil de civilidade, artes e, principalmente conhecimento na cabeça dela. “Mudou minha vida, nem sei se termino o curso de RH ou se me dedico a algo relacionado a arte”, completa ela, com um sorriso orgulhoso no rosto.

A grande alameda que dá acesso a Inhotim.

Assim é Inhotim.: o maior museu a céu aberto da América Latina. Rodei quase 550 quilômetros de São Paulo até a cidade de Brumadinho, MG, na maior expectativa. Após o rompimento da barragem da Vale que matou milhares de pessoas e rodou o mundo, a região mostra sinais de recuperação mas ainda é cedo. Inhotim, no entanto, passou meio que ileso. Bem, ileso do ponto de vista da destruição de seu riquíssimo patrimônio natural e cultural. Enquanto a cidade de Brumadinho é um enorme canteiro de obras a céu aberto, quando se entra em Inhotim, tudo muda. O arquiteto carioca Alexandre Alves se regozija: “queria conhecer este museu único no mundo  há muito tempo, afirma ele que completa: “a integração entre os espaços verdes, o paisagismo esplêndido e as obras de arte de todo o mundo fascinam”.

Galeria Adriana Varejào


Quando reabriu no final de 2020, Inhotim podia receber apenas 500 visitantes por dia. Em 2021 passou a receber mil pessoas diariamente. “Mas já chegamos a receber mais de 15 mil em um único dia”, afirma Kimberly Teodora, 18 anos, uma das agentes de atendimento. Ao todo, são mais de 500 funcionários, que tem transporte, restaurante, carteira assinada, tkt refeição e o futuro nos olhos. “Antes de trabalhar aqui eu via a arte como algo somente para ser observado. Agora sei que a arte transforma a vida das pessoas”. Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico, O instituto Inhotim abriu as portas em 2006 mas levou toda uma vida para ser “parido”.

De Lama Lâmina, de Matthew Barney: natureza nas garras do homem

Com mais de 4,5 mil espécies de plantas de todos os continentes – muitas raras e em extinção – Inhotim é uma experiência única na qual se mergulha de corpo, alma e sentidos. Para lá das 560 obras em exposição permanente, das 23 galerias abrigando 60 artistas de 38 diferentes países, o Instituto Inhotim é uma festa sensorial e artística raramente vista no Brasil. Confesso que, conhecendo mais de 75 países e tendo morado em três continentes, nunca “senti” nada igual por onde andei pelo mundo. Tunga, Cildo Meireles, Miguel Rio Branco, Hélio Oiticica, Adriana Varejão, Mattew Barnei, Doug Aitkem, entre outros, convivem com a riquíssima fauna e flora deste bioma único no mundo. Livres, como os artistas que criaram Inhotim, papagaios, pássaros multicoloridos e até atrevidas seriemas fiscalizam os visitantes que, invariavelmente sorriem, sorriem, sorriem.

Narcissus garden: inspirada em uma escultura de Yayoi Kusama  na 33ª Bienal de Veneza

Entrada baratíssima pelo que proporciona ( R$ 44,00 inteiras e R$ 22,00 meias), estacionamento gratuito e, imaginem, carrinhos elétricos (R$ 30,oo por pessoa) fazem deste passeio algo obrigatório para famílias, amigos, estudantes, colegas, enfim, todos aqueles que apreciam natureza e arte. Com dois restaurantes de classe mundial, lanchonetes espalhadas em meio a mata e até bebedouros por todo o museu, é fácil, divertido e confortável percorrer os 140 hectares por onde este mundo mágico se espalha.

Transporte sustentável: carrinhos elétricos para os visitantes.


Até os banheiros, imaginem, são limpíssimos, em número mais do que suficiente e cheirosos! Sim, tem cheiro de eucaliptos! Apaixonei. Voltarei. Um dia é suficiente? É possível, desde que você opte pelo transporte interno dos carrinhos elétricos. Dois dias são o ideal! Aliás, aquele meu temor inicial desapareceu totalmente antes mesmo da entrada no Instituto Inhotim! Nem parece o Brasil!  Sai me perguntando por que nunca visitei antes!

Obs: Dica Não compre os ingressos pelo SIMPLA, o sistema que Inhotim utiliza para vender ingressos online. É ruim, nada funcional e se precisar cancelar vai perder seu dinheiro. Péssimo serviço para um Museu de excelência! Compre nas bilheterias.

fotos: Paulo Panayotis & Adriana Reis

Jornalista Paulo Panayotis em frente a Galeria True Rouge, do artista Tunga

 

Paulo Panayotis é jornalista profissional, ex-correspondente internacional, escritor e visitou Inhotim a convite do Instituto. Mais dicas? www.oquevipelomundo.com.br

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