• 19 de November de 2017
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La Pignata: o melhor restaurante do mundo!

La Pignata: o melhor restaurante do mundo!

Por: Luci Molina | São Paulo - Brasil Categoria: Colunista

Minhas glândulas salivares jorram em profusão quando me lembro da terrine, com pepino em conversa, do restaurante La Pignata, em Paris. A descoberta do restaurante foi por mero acidente.  Deliciosamente flanando pelas ruas do bairro Ópera dei de cara com um pequeno e simpaticíssimo restaurante.  A fome já me consumia.  Olhei pela janela e vi apenas umas 10 ou 12 mesas, com velas acesas em cada uma delas. Uma lousa do lado de fora comunicava o cardápio do dia. Algumas flores enfeitavam as janelas, o que conferia um charme particular.  Tentei entrar, mas fui comunicada por um simpático garçom que o restaurante só abriria dali a duas horas.  Gostei tanto do lugar que resolvi esperar.  Valeu por toda uma vida.
Ao chegar já pude perceber que o restaurante era administrado por uma família. Os filhos eram os garçons, a mulher estava no caixa e a avó, ao lado do pai, eram os responsáveis pela cozinha.  Em pouco tempo o restaurante fica lotado.  Nenhum turista, só franceses e quase todos se cumprimentavam.  Deduzi que já eram ‘habitués’. Achei mais delicioso ainda, afinal como diz o ditado, ‘Em Roma, viva como os romanos’. Assim que ocupei minha mesa ganhei um Kir Royal (Champagne com Creme de Cassis).  Escolhi o cardápio do dia, que era composto por entrada, prato principal e sobremesa: o ‘menu fixe’.  Enquanto isso o volume das conversas aumentava e aromas, dos mais diversos, tomavam conta do ar.   Eis que chega minha entrada: uma imensa ‘terrine’ com um pote generoso de pepino em conserva.  Eu poderia me servir o quanto quisesse explicou o garçom, quando viu minha cara de espanto.  Decidi pegar só um pouquinho, afinal ainda tinha o prato principal.  Quando dei a primeira garfada já senti uma explosão de sabores. Tudo bem, eu estava com fome. Pego outro pedaço um pouco maior. Pensei: dane-se o prato principal.  Eu já estava com vergonha, pois quase acabei com a ‘terrine’.  Todos os outros pratos servidos também estavam maravilhosos. Fui rolando para o hotel, mas feliz feito criança.  No dia seguinte estava eu do outro lado da cidade, mas alguma coisa me dizia para voltar ao La Pignata.  A experiência, pela segunda vez, não deve ser tão boa, pensei com meus botões.  Resumo:  todos os dias eu retornei ao La Pignata. Já era tratada como cliente preferencial.  Sempre queria experimentar algo diferente, mas nunca, jamais e em tempo algum eu abri mão da entrada: ‘terrine’ com pepino em conversa.  
No Brasil, eu já não falava mais de Paris, o meu assunto era o La Pignata.  Falei aos quatro ventos sobre o ‘meu’ restaurante.  Uns amigos, logo depois, foram para Paris.  Quando retornaram, eu imaginei que iam dizer que eu tinha exagerado, mas não: eles amaram! Se alguém fosse para a Europa e não ia passar por Paris, eu imediatamente argumentava que não poderiam deixar de conhecer o ‘La Pignata’, o melhor restaurante do mundo.  Quem conhecia também se apaixonava.
Finalmente chega a oportunidade de viajar novamente a Paris.  Estava com amigos, que também conheciam e já eram fanáticos pelo La Pignata.  No primeiro dia já fomos feitos loucos para o bairro da Ópera.  Já na esquina, meu coração disparava alucinadamente pela expectativa de ver meus amigos franceses, tomar meu Kir Royal, e me deliciar com a ‘terrine’. Só que no lugar do La Pignata tinha um restaurante marroquino.  Ficamos parados na rua olhando petrificados e incrédulos. Juro que não cai num choro convulsivo por pura vergonha.  Além de decepcionados também ficamos imbecis: perguntamos umas quinhentas vezes para o garçom do marroquino o que tinha acontecido com o La Pignata.  Saímos como loucos perguntando por toda a vizinhança.  Nada!  O La Pignata simplesmente desapareceu.  Até hoje eu e meus amigos não nos recuperamos do duro golpe.  Cada vez que vejo uma ‘terrine’ eu me lembro, com muita dor, do ‘meu’ melhor restaurante do mundo.
 

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