• 22 de November de 2017
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Marrakesh: os mercadores de Djemaa El Fnaa  e a melhor cabeça de cordeiro que já comi!

Marrakesh: os mercadores de Djemaa El Fnaa e a melhor cabeça de cordeiro que já comi!

Por: Paulo Panayotis | São Paulo - Brasil Categoria: Colunista

Desembarco no aeroporto de Menara, no início da manhã de uma quinta-feira. Pequeno, o aeroporto internacional de Marrakesh mais parece o aeroclube de São Paulo. Mas o calor e as montanhas Atlas, ao longe, me lembram do contrário: estou no Marrocos!De colonização francesa e orientação muçulmana, Marrakesh me fascina desde o primeiro instante.

Um táxi me leva direto ao “Riad” Julia (o equivalente à uma boa pousada no Brasil).
Pelas janelas da velha Mercedes Benz cenas de filme: camelos, cordeiros, mulheres com véus (burcas) encobrindo rostos, homens fumando narguilés (cigarros típicos com filtro à base de água), ambulantes, crianças, crianças, crianças! Estou fascinado!Dez minutos de corrida e o táxi estaciona ao lado de um grande muro, a Medina!“ É aqui”, balbucia o motorista em um dialeto que lembra o inglês. – Onde? Penso, mas não ouso perguntar. Pago. Desço. Pego as malas e reflito : “Dancei!”. Explico.  Fechei a estadia em Marrakesh diretamente de um site de turismo. Na época morava em Londres. O Riad (pousada) Julia surgiu como uma excelente relação custo benefício. Dezenas de pessoas haviam qualificado o lugar como fantástico, ótimo! E cá estou: malas na mão, dinheiro no bolso, nervos no ar! Um guia que,  pretensamente também trabalha no hotel, me espera: – “Por aqui”, diz ele, em um inglês menos árabe. E saio seguindo o guia. Ele, com minhas malas. Eu, atrás, com meu receio ocidental. E as ruas ficando cada vez mais estreitas, sorrateiras, escuras . E o receio se transformando em medo, começando a incomodar.  Continuo em frente.Bravamente, penso: “– É hoje. Vai me esfaquear, roubar e entregar meu corpo aos cães”. – Chegamos, diz meu esquálido guia! Onde, meu Deus? Quero dizer, meus Deuses, onde chegamos ? Uma pequena porta nos mira ao final de uma rua de pedras com casas tão escuras e assustadoras que quase saio correndo.Abro. Entro . E me deslumbro. Do lado de dentro, um oásis em meio ao purgatório! 

Em uma construção quadrada, com uma fonte de água fresca ao centro, estou no meu Riad! Belíssimo! Um alento de estética e frescor! Meus quatro dias em Marrakesh são espetaculares... tanto dentro do “Riad” quanto pelas ruas da cidade... Ao longe, as montanhas Atlas me observavam... De noite, os mercadores descem das montanhas, há séculos, para vender seus produtos, beber e pagar por mulheres.É em Marrakesh que provo a melhor cabeça de cordeiro de minha vida. O quê? Nunca experimentou? Vou tentar descrever: É noite. Milhares de pessoas, entre famílias locais e turistas com olhos embasbacados, circulam em meio a centenas de barracas. Estou na Praça Djemaa el Fná.

De cada barraca, vem uma profusão de aromas, cores e sons. Escolho uma. Sento. Aponto para uma das cabeças de cordeiro que repousam a minha frente. “Esta”! Metade” digo para um marroquino com cara de poucos amigos e duas facas gigantes nas mãos. Ele puxa uma cabeça. Em um único golpe, corta-a ao meio. Como um prestigitador, vai desossando-a rapidamente! Parece um leão desossando sua presa! Em segundos, empurra a carne, desprovida de ossos, em minha direção! Fumegante! Assustadoramente aromática! Penso na esfinge egípcia: ou me decifras, ou te devoro! Prefiro a segunda alternativa.

Difícil mesmo é encarar aqueles olhinhos miúdos me encarando ...